Noites ensolaradas tomam posse do meu sono.
Todo raio de luz me estende a mão em companhia.
Despidas as semanas se expões em dias, carregam-me inerte por caminhos secos onde rachaduras craquelam meus pés descalços.
Acordei em abril no mais quente dos invernos, a neve derretida em pó saltava virgem dos meus olhos.
Duros suspiros rasgavam os braços colados à cama, cansado o travesseiro apoiava a impertinente seqüência pensativa.
Era naquelas paredes que eu entupia minhas verdades, toda mobília roubava de mim a forma e naquele eu tão bem de mim refletido lia-se a impossibilidade de esquecer.
Lençóis manchados beijavam meus ouvidos:
- Dorme criança, que é no peito que a alma morre.
Tuesday, November 24, 2009
Gota.
Corre!
Corre da água.
É lá que tuas sensações tomam sentido.
Que é no ventre alheio que tua linha cria forma.
A carne mole que arrasta o gozo lambuza as pernas cruzadas,
Aperta o tronco que te afunda os sonhos.
São desejos mortos, meu bem.
Toda escrita desenhada com o suor dele, nas costas dele, nas tuas mãos.
Mas corre, corre da água.
Que é na gota dele que engoles amor.
Corre da água.
É lá que tuas sensações tomam sentido.
Que é no ventre alheio que tua linha cria forma.
A carne mole que arrasta o gozo lambuza as pernas cruzadas,
Aperta o tronco que te afunda os sonhos.
São desejos mortos, meu bem.
Toda escrita desenhada com o suor dele, nas costas dele, nas tuas mãos.
Mas corre, corre da água.
Que é na gota dele que engoles amor.
Saturday, March 28, 2009
Parte três.
Acendeu o cigarro com a mão esquerda, havia tempos em que não mais transpirava café.
Todo coração batido não passava de barulho, sonoro tic-tac compulsivo, relembrando que a vida nada era além de repetição.
Era nada além de linha, cordão curvo onde se prendem idéias, onde se mordiam palavras na esperança de qualquer fé.
Era fio forte, de morte dura.
Era morte fácil, de febre fria.
O mais árduo dos relógios contado em ré.
Todo coração batido não passava de barulho, sonoro tic-tac compulsivo, relembrando que a vida nada era além de repetição.
Era nada além de linha, cordão curvo onde se prendem idéias, onde se mordiam palavras na esperança de qualquer fé.
Era fio forte, de morte dura.
Era morte fácil, de febre fria.
O mais árduo dos relógios contado em ré.
Parte dois.
Embora a roseira insista nesse abril, o copo se abre feito um corpo.
É poço fundo, sem panos quentes,
É boca aberta, língua, é dente.
Vontade que se engole em desperdício, suor de quem não escorre, gozo que não se tem.
Acordou-se num domingo e a água que escorria a pia molhava o vestido.
Nem era dia, nem era noite.
Era qualquer coisa como um meio, um suplício, sacrifício por atenção;
Qualquer dito necessitado de nome, mostrando um rosto sem feição.
Deu duas voltas, mais outra, foi novamente ao início e se perdeu em razão.
É poço fundo, sem panos quentes,
É boca aberta, língua, é dente.
Vontade que se engole em desperdício, suor de quem não escorre, gozo que não se tem.
Acordou-se num domingo e a água que escorria a pia molhava o vestido.
Nem era dia, nem era noite.
Era qualquer coisa como um meio, um suplício, sacrifício por atenção;
Qualquer dito necessitado de nome, mostrando um rosto sem feição.
Deu duas voltas, mais outra, foi novamente ao início e se perdeu em razão.
Clínica.
Perdeu-se em folha como se fosse nota, tomou goles de si mesma sem desesperar a solidão.
Houve um dia, fosse um ano, em que cada tom era fibra nervosa, musculatura contraída de não saber, não querer.
Em que cada cheiro, cada jeito era meramente um não simplesmente dito.
3/4 em 7/8, toda meia viva na prostituição.
Fosse santa, fosse minha, foi-se embora, como vinha.
Foi como um ontem, um doce.
Foi-se como hoje, como um não.
Houve um dia, fosse um ano, em que cada tom era fibra nervosa, musculatura contraída de não saber, não querer.
Em que cada cheiro, cada jeito era meramente um não simplesmente dito.
3/4 em 7/8, toda meia viva na prostituição.
Fosse santa, fosse minha, foi-se embora, como vinha.
Foi como um ontem, um doce.
Foi-se como hoje, como um não.
Thursday, December 11, 2008
Achei num caderno.
Mas eu costumo contar desde que as coroas e seus charmosos pés de galinhas dormiam franzidos com as bocas uma na outra.
Como bolas de vidro giram num seio coberto de sangue e onde seus gritos por clemência são abafados por um carrinho de picolés.
Pensamentos lúdicos, pensamentos lúbricos.
Há muito te quis como homem.
Há muito te quis como enfeite, objeto e espelho.
Há muito a diferença aqui era a pontuação.
Como bolas de vidro giram num seio coberto de sangue e onde seus gritos por clemência são abafados por um carrinho de picolés.
Pensamentos lúdicos, pensamentos lúbricos.
Há muito te quis como homem.
Há muito te quis como enfeite, objeto e espelho.
Há muito a diferença aqui era a pontuação.
Tuesday, November 11, 2008
Dentro da cama.
Eram ela e eu,
Eu e ela éramos.
Comum entre o elo era a pouca vergonha,
A forma destratada de se dirigir o verbo, era o quebrar de olhos feito arranhão.
Perna d’uma na outra coxa,
Coxa d’outra em resquícios.
A falha vinha debaixo.
Perto do ventre, entre as bocas.
Carne forte, breve e lenta.
Tapa voraz que o corpo agüenta.
Eu e ela éramos.
Comum entre o elo era a pouca vergonha,
A forma destratada de se dirigir o verbo, era o quebrar de olhos feito arranhão.
Perna d’uma na outra coxa,
Coxa d’outra em resquícios.
A falha vinha debaixo.
Perto do ventre, entre as bocas.
Carne forte, breve e lenta.
Tapa voraz que o corpo agüenta.
Wednesday, September 03, 2008
Rósea
“Isso pode acontecer com qualquer um”.
Qualquer um? Eu? Quando foi que decidi ser ordinária? Decidi?
...
Pedacinho por pedacinho vou colando no futuro meu passado.
Não, não é mais assim.
Ele tem outra agora.
É nela que ele goza, é ela que ele trai.
Hoje a pele não é lisa, não é pálida.
Os dedos sobem e descem ondulações, como se lessem braile.
Eu poderia ver histórias em cada uma dessas manchas.
Não mais apetece, não encanta.
Explodem, escorrem.
A liberdade incomoda, traz coceira.
O eu que sente, o eu que pensa, exposto, crescendo feito colônia.
Vermelho. Sujo. Imperfeito.
São minhas, minhas. Sou eu.
Acaricio-as, não precisam mais sair...
Ficam à mostra, exibidas, contando aquilo que eu sei de mim.
Qualquer um? Eu? Quando foi que decidi ser ordinária? Decidi?
...
Pedacinho por pedacinho vou colando no futuro meu passado.
Não, não é mais assim.
Ele tem outra agora.
É nela que ele goza, é ela que ele trai.
Hoje a pele não é lisa, não é pálida.
Os dedos sobem e descem ondulações, como se lessem braile.
Eu poderia ver histórias em cada uma dessas manchas.
Não mais apetece, não encanta.
Explodem, escorrem.
A liberdade incomoda, traz coceira.
O eu que sente, o eu que pensa, exposto, crescendo feito colônia.
Vermelho. Sujo. Imperfeito.
São minhas, minhas. Sou eu.
Acaricio-as, não precisam mais sair...
Ficam à mostra, exibidas, contando aquilo que eu sei de mim.
Thursday, August 28, 2008
Achado
Presa no soneto de quem goza outro.
Para viver de contos, fugir do gosto que só se sabe ter.
Presa nas palavras semelhantes, dos olhos vastos, vários, da contramão.
Dentro do que se diz história, que mostra o corpo, que tira o rosto.
Presa no soneto de quem cala o choro, de quem gosta d’outro, quem não pede perdão.
Dentro de quem corre a linha, a mão, a tinta, sem saber p'ra quem escreve.
Para viver de contos, fugir do gosto que só se sabe ter.
Presa nas palavras semelhantes, dos olhos vastos, vários, da contramão.
Dentro do que se diz história, que mostra o corpo, que tira o rosto.
Presa no soneto de quem cala o choro, de quem gosta d’outro, quem não pede perdão.
Dentro de quem corre a linha, a mão, a tinta, sem saber p'ra quem escreve.
Monday, August 25, 2008
Algo sobre abril
Foi dia 18, não?
O show, digo.
Não sei. Às vezes penso que vivo sozinha.
Sumi é verdade... Mas não posso dizer que tenho andado por essas bandas, ou qualquer banda, qualquer uma.
Ainda não sei se me acostumei a fazer coisas.
Sinto que os dias me escapam e eu apenas vou empurrando as horas até aqueles raros momentos onde de fato vivo.
Como se tudo fosse uma espera para tal.
Mas não de forma triste, nem feliz, nem qualquer coisa.
Da forma que deve ser, suponho, para todos.
Não seria, então, diferente para mim.
É como a gente descobre que faz parte de um todo, não é mesmo?
Quando a vida não é grande coisa para ninguém.
O show, digo.
Não sei. Às vezes penso que vivo sozinha.
Sumi é verdade... Mas não posso dizer que tenho andado por essas bandas, ou qualquer banda, qualquer uma.
Ainda não sei se me acostumei a fazer coisas.
Sinto que os dias me escapam e eu apenas vou empurrando as horas até aqueles raros momentos onde de fato vivo.
Como se tudo fosse uma espera para tal.
Mas não de forma triste, nem feliz, nem qualquer coisa.
Da forma que deve ser, suponho, para todos.
Não seria, então, diferente para mim.
É como a gente descobre que faz parte de um todo, não é mesmo?
Quando a vida não é grande coisa para ninguém.
Saturday, August 23, 2008
Fava-Amargosa
Ah, se houvesse pêra.
Se houvesse pêra tua nesse jardim de nectarinas,
Fosse eu ameixa murcha, néctar doce na fruta madura.
Tivesse ponta à rachadura, galho, flor e seiva bruta.
Jorrassem súber e terra úmida, caísse à grama sopro e luta.
Ah, se houvesse fruta.
Se houvesse pêra tua nesse jardim de nectarinas,
Fosse eu ameixa murcha, néctar doce na fruta madura.
Tivesse ponta à rachadura, galho, flor e seiva bruta.
Jorrassem súber e terra úmida, caísse à grama sopro e luta.
Ah, se houvesse fruta.
Friday, December 14, 2007
Parece
Escapa a mão, escorre os dedos.
O que sai voando me chuta pela cortina.
Aquilo que dou não encontra mais caminho;
Cobre os olhos, torna-se cinza.
Vira, gira, torce.
O braço toca o pescoço;
E a vontade vai e volta;
Tira a parte minha que finge aindas.
Grita! Louca, aterroriza.
Volta insana e descompassa.
Cansa. Morre. Morre mais um pouco.
No céu da boca a língua.
Na seda os dentes.
O que sai voando me chuta pela cortina.
Aquilo que dou não encontra mais caminho;
Cobre os olhos, torna-se cinza.
Vira, gira, torce.
O braço toca o pescoço;
E a vontade vai e volta;
Tira a parte minha que finge aindas.
Grita! Louca, aterroriza.
Volta insana e descompassa.
Cansa. Morre. Morre mais um pouco.
No céu da boca a língua.
Na seda os dentes.
Wednesday, July 11, 2007
Letra
Haverá mancha tua em cada citação;
Lembrança do teu nome em cada vontade;
Esperança dos teus olhos em cada passo pela rua;
Gosto da tua ausência em cada xícara de chá.
Eu acreditei ter ido embora,
Mas tu enches o sentido da imaginária nostalgia.
Quero teus pedaços, pecados...
Preciso ver tua cor.
Somos dois meios cruzados em palavras.
As minhas sem as tuas se esgotam,
Sem as tuas não formam frases.
Teu começo não me é físico
E meu corpo em ti é caligrafia.
Lembrança do teu nome em cada vontade;
Esperança dos teus olhos em cada passo pela rua;
Gosto da tua ausência em cada xícara de chá.
Eu acreditei ter ido embora,
Mas tu enches o sentido da imaginária nostalgia.
Quero teus pedaços, pecados...
Preciso ver tua cor.
Somos dois meios cruzados em palavras.
As minhas sem as tuas se esgotam,
Sem as tuas não formam frases.
Teu começo não me é físico
E meu corpo em ti é caligrafia.
Tuesday, July 03, 2007
Cortina
‘Inda que sentado em cada curva, forte como as pernas de uma puta sem ser mais meu todo coma;
‘Inda que minha culpa, usei da tua mão a mula para zelar cada buraco;
‘Inda que te apóie em meu seio, que te morda em pesadelo onde vírgula não há;
‘Inda que tua mãe vestida em santa, meio livre, meio mansa tire do tato a compreensão;
‘Inda que tua, quando tua, sempre tua, da minha boca não.
‘Inda que minha culpa, usei da tua mão a mula para zelar cada buraco;
‘Inda que te apóie em meu seio, que te morda em pesadelo onde vírgula não há;
‘Inda que tua mãe vestida em santa, meio livre, meio mansa tire do tato a compreensão;
‘Inda que tua, quando tua, sempre tua, da minha boca não.
Tuesday, June 26, 2007
De lá pra cá eu já não sei.
Segunda vez.
E ela já tinha se prometido antes mesmo do ocorrido inicial que se fosse até o prédio não sairia de lá como quem não quer nada da vida.
Mas ela sabia disso – Ah, sabia! – tanto que se fez prometer toda aquela bagulhada de cousas que vem em frases pomposas.
Era aquela sua mania de apressar finais e tomar vinhos de R$ 4,97 que vivia atrapalhando.
Desceu as escadas e deu com os ombros um “Tudo bem, amanhã, amanhã...” (promessa).
Tropeçou umas duas vezes e teve certeza de que não cairia uma vez se estivesse de saltos.
Foi sempre assim, e ainda é.
Ela cuida mais quando anda sobre pontas.
Procurou uns buracos, pulou d’umas poças, fez cara de distraída e se equilibrou no meio fio.
Nada.
“Quando a gente presta atenção some”.
Bobagem!
Não compraria idéias prontas. Não nessa vida – claro que não!
Borrão amarelo cruza a rua e ela perdidamente atrasada corre atrás do ônibus xingando mais que a Dona Dalva.
Bruscamente a porta abre e do outro lado um motorista risonho:
- Quase não pega, hã?
- Engraçadinho.
Some o degrau, escorrega e caí de boca naquela espécie de corrimão seboso.
- Merda!
“Ainda acredito”.
E ela já tinha se prometido antes mesmo do ocorrido inicial que se fosse até o prédio não sairia de lá como quem não quer nada da vida.
Mas ela sabia disso – Ah, sabia! – tanto que se fez prometer toda aquela bagulhada de cousas que vem em frases pomposas.
Era aquela sua mania de apressar finais e tomar vinhos de R$ 4,97 que vivia atrapalhando.
Desceu as escadas e deu com os ombros um “Tudo bem, amanhã, amanhã...” (promessa).
Tropeçou umas duas vezes e teve certeza de que não cairia uma vez se estivesse de saltos.
Foi sempre assim, e ainda é.
Ela cuida mais quando anda sobre pontas.
Procurou uns buracos, pulou d’umas poças, fez cara de distraída e se equilibrou no meio fio.
Nada.
“Quando a gente presta atenção some”.
Bobagem!
Não compraria idéias prontas. Não nessa vida – claro que não!
Borrão amarelo cruza a rua e ela perdidamente atrasada corre atrás do ônibus xingando mais que a Dona Dalva.
Bruscamente a porta abre e do outro lado um motorista risonho:
- Quase não pega, hã?
- Engraçadinho.
Some o degrau, escorrega e caí de boca naquela espécie de corrimão seboso.
- Merda!
“Ainda acredito”.
Wednesday, November 01, 2006
17:54h
Fumaça em espiral toca o teto, gira, gira sem sair do lugar.
- Não gosto dessa roupa! – Comenta ele.
- Hum... É nova. – Ela.
Outro gole de café.
São quase seis horas e aquela mesa nunca havia sido tão grande, nem aquele cômodo tão minúsculo.
Roubando do fastio a cara emburrada ele pergunta num tom despreocupado.
- E como é transar com outro... Agora que já tocaste em mim?
Os olhos enfurecidos caem sobre metade de um cigarro. Os dedos inquietos, dela, abandonam o amarelo para exibir cinza, cinzas e frustração.
- O sexo é fabuloso... O gozo vazio.
Ainda adora o jeito que ele a faz chorar.
Ainda adora...
- Não gosto dessa roupa! – Comenta ele.
- Hum... É nova. – Ela.
Outro gole de café.
São quase seis horas e aquela mesa nunca havia sido tão grande, nem aquele cômodo tão minúsculo.
Roubando do fastio a cara emburrada ele pergunta num tom despreocupado.
- E como é transar com outro... Agora que já tocaste em mim?
Os olhos enfurecidos caem sobre metade de um cigarro. Os dedos inquietos, dela, abandonam o amarelo para exibir cinza, cinzas e frustração.
- O sexo é fabuloso... O gozo vazio.
Ainda adora o jeito que ele a faz chorar.
Ainda adora...
Monday, July 10, 2006
"venus as a boy"
Indiferença cresce em cada pedaço que retiras.
Cegueira não impede de contar as cicatrizes e o exaustivo salvar abandona tua causa tedienta.
Memórias não argumentam, não contam histórias, não lembram mais.
Nostalgia num passado almejante de futuro corta a carne, mas esquece de sangrar.
Necessidade em forma alterada expulsa tua pele do meu corpo.
Parasita rotineiro, pesquisa, procura.
No silêncio encontra angustia, na vontade cansaço.
Deixo ires ao somar dos segundos e usando fantasmas para afogar a dor.
Cegueira não impede de contar as cicatrizes e o exaustivo salvar abandona tua causa tedienta.
Memórias não argumentam, não contam histórias, não lembram mais.
Nostalgia num passado almejante de futuro corta a carne, mas esquece de sangrar.
Necessidade em forma alterada expulsa tua pele do meu corpo.
Parasita rotineiro, pesquisa, procura.
No silêncio encontra angustia, na vontade cansaço.
Deixo ires ao somar dos segundos e usando fantasmas para afogar a dor.
Saturday, July 01, 2006
1,2,3,4,5,-,7
Desapareceu-me um dia e a frigidez romântica recordou futuros.
Sonhei meus medos, diminui inquietações, fiz-me entender.
Não há necessidade de esquecimento, meu gozo hoje busca boca não tua.
Deixarás novamente até que eu te entregue um adeus.
Pálidos dedos tateiam rostos de feição imprecisa.
O corpo cede, a mente não.
Desligado teu no meu eu egoísta, tua forma morna cansa minha dor.
Morremos jovens, em cantos distintos compartilhando o que jamais tivemos intenção de ser.
Raiva fria, desconexa perde força na tua estátua espectadora sem opção de jogo.
Seja tu, seja outro, seja eu.
Não quero mais, quero apenas diferente.
Sonhei meus medos, diminui inquietações, fiz-me entender.
Não há necessidade de esquecimento, meu gozo hoje busca boca não tua.
Deixarás novamente até que eu te entregue um adeus.
Pálidos dedos tateiam rostos de feição imprecisa.
O corpo cede, a mente não.
Desligado teu no meu eu egoísta, tua forma morna cansa minha dor.
Morremos jovens, em cantos distintos compartilhando o que jamais tivemos intenção de ser.
Raiva fria, desconexa perde força na tua estátua espectadora sem opção de jogo.
Seja tu, seja outro, seja eu.
Não quero mais, quero apenas diferente.
Friday, June 23, 2006
Falando enquanto dorme
A capacidade de perda ganhou limite.
Se senti não lembro, apenas a verdade ilusória me fez registro.
Em que me prendo quando a diferença é turva e nas frases antes tudo que foi é hoje.
Na reprise de pensamentos alimento as inseguranças condenando o livre arbítrio.
Prioridade onde, não semelhante.
Sem tempo, mas há aos outros.
Quem ganhou o sim é várias, instabilidade uma vez desejo.
Rotina minha pelo dito alheio – aquela palavra.
Corrosão interna por lábios – naquela boca.
Inquieta vontade suplicante – daquele ser.
Dias de cama na praia, o desvendar da pele até então desconhecida, o colchão na sala, as garrafas de vidro pela casa, os cigarros, a gripe, os olhos, sorrisos, o barulho da chave na porta da frente e o piano do outro lado da parede.
Quando desinteressei a procura?
A vontade mútua?
O querer da palavra, naquela boca, daquele ser?
Se senti não lembro, apenas a verdade ilusória me fez registro.
Em que me prendo quando a diferença é turva e nas frases antes tudo que foi é hoje.
Na reprise de pensamentos alimento as inseguranças condenando o livre arbítrio.
Prioridade onde, não semelhante.
Sem tempo, mas há aos outros.
Quem ganhou o sim é várias, instabilidade uma vez desejo.
Rotina minha pelo dito alheio – aquela palavra.
Corrosão interna por lábios – naquela boca.
Inquieta vontade suplicante – daquele ser.
Dias de cama na praia, o desvendar da pele até então desconhecida, o colchão na sala, as garrafas de vidro pela casa, os cigarros, a gripe, os olhos, sorrisos, o barulho da chave na porta da frente e o piano do outro lado da parede.
Quando desinteressei a procura?
A vontade mútua?
O querer da palavra, naquela boca, daquele ser?
Tuesday, April 11, 2006
Guisado feito com sobras de comida
Cansada de desejar as mesmas coisas, de implorar teus deveres e perturbar-me com tua conduta.
Abro mão do que não é me dado e crio meios para adquirir tuas palavras.
Aquelas mesmas; devaneios.
Capricho de um sentimento.
A obediência de um impulso torna física a mesma pergunta, cria lascas de razão condenando conclusões.
Nós fizemos-me imaginar, eu tornei difícil a respiração.
Filauciosa essa forma de amar.
Dirijo súplicas por sensações equivalentes,
Por demonstrações de semelhante importância
Pela constância de um encostar de bocas.
Abro mão do que não é me dado e crio meios para adquirir tuas palavras.
Aquelas mesmas; devaneios.
Capricho de um sentimento.
A obediência de um impulso torna física a mesma pergunta, cria lascas de razão condenando conclusões.
Nós fizemos-me imaginar, eu tornei difícil a respiração.
Filauciosa essa forma de amar.
Dirijo súplicas por sensações equivalentes,
Por demonstrações de semelhante importância
Pela constância de um encostar de bocas.
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