Sunday, November 13, 2011

'Noiva' - Borris Kossoy


"Nós não vemos as coisas como elas são, porém como nós somos"

Wednesday, March 17, 2010

... quero te ver. Quero muito! Mas eu sinto que não posso entrar numa relação, seja ela qual for, com alguém que não me respeite. Eu entendo que precises pensar nela, em vocês. Mas eu preciso que alguém pense em mim. Então eu farei isso.

Tuesday, November 24, 2009

Pulso.

Noites ensolaradas tomam posse do meu sono.
Todo raio de luz me estende a mão em companhia.
Despidas as semanas se expões em dias, carregam-me inerte por caminhos secos onde rachaduras craquelam meus pés descalços.
Acordei em abril no mais quente dos invernos, a neve derretida em pó saltava virgem dos meus olhos.
Duros suspiros rasgavam os braços colados à cama, cansado o travesseiro apoiava a impertinente seqüência pensativa.
Era naquelas paredes que eu entupia minhas verdades, toda mobília roubava de mim a forma e naquele eu tão bem de mim refletido lia-se a impossibilidade de esquecer.
Lençóis manchados beijavam meus ouvidos:
- Dorme criança, que é no peito que a alma morre.

Gota.

Corre!
Corre da água.
É lá que tuas sensações tomam sentido.
Que é no ventre alheio que tua linha cria forma.
A carne mole que arrasta o gozo lambuza as pernas cruzadas,
Aperta o tronco que te afunda os sonhos.
São desejos mortos, meu bem.
Toda escrita desenhada com o suor dele, nas costas dele, nas tuas mãos.
Mas corre, corre da água.
Que é na gota dele que engoles amor.

Saturday, March 28, 2009

Parte três.

Acendeu o cigarro com a mão esquerda, havia tempos em que não mais transpirava café.
Todo coração batido não passava de barulho, sonoro tic-tac compulsivo, relembrando que a vida nada era além de repetição.
Era nada além de linha, cordão curvo onde se prendem idéias, onde se mordiam palavras na esperança de qualquer fé.
Era fio forte, de morte dura.
Era morte fácil, de febre fria.
O mais árduo dos relógios contado em ré.

Parte dois.

Embora a roseira insista nesse abril, o copo se abre feito um corpo.
É poço fundo, sem panos quentes,
É boca aberta, língua, é dente.
Vontade que se engole em desperdício, suor de quem não escorre, gozo que não se tem.
Acordou-se num domingo e a água que escorria a pia molhava o vestido.
Nem era dia, nem era noite.
Era qualquer coisa como um meio, um suplício, sacrifício por atenção;
Qualquer dito necessitado de nome, mostrando um rosto sem feição.
Deu duas voltas, mais outra, foi novamente ao início e se perdeu em razão.

Clínica.

Perdeu-se em folha como se fosse nota, tomou goles de si mesma sem desesperar a solidão.
Houve um dia, fosse um ano, em que cada tom era fibra nervosa, musculatura contraída de não saber, não querer.
Em que cada cheiro, cada jeito era meramente um não simplesmente dito.
3/4 em 7/8, toda meia viva na prostituição.
Fosse santa, fosse minha, foi-se embora, como vinha.
Foi como um ontem, um doce.
Foi-se como hoje, como um não.

Thursday, December 11, 2008

Achei num caderno.

Mas eu costumo contar desde que as coroas e seus charmosos pés de galinhas dormiam franzidos com as bocas uma na outra.
Como bolas de vidro giram num seio coberto de sangue e onde seus gritos por clemência são abafados por um carrinho de picolés.
Pensamentos lúdicos, pensamentos lúbricos.
Há muito te quis como homem.
Há muito te quis como enfeite, objeto e espelho.
Há muito a diferença aqui era a pontuação.

Tuesday, November 11, 2008

Dentro da cama.

Eram ela e eu,
Eu e ela éramos.
Comum entre o elo era a pouca vergonha,
A forma destratada de se dirigir o verbo, era o quebrar de olhos feito arranhão.
Perna d’uma na outra coxa,
Coxa d’outra em resquícios.
A falha vinha debaixo.
Perto do ventre, entre as bocas.
Carne forte, breve e lenta.
Tapa voraz que o corpo agüenta.

Wednesday, September 03, 2008

Rósea

“Isso pode acontecer com qualquer um”.
Qualquer um? Eu? Quando foi que decidi ser ordinária? Decidi?
...
Pedacinho por pedacinho vou colando no futuro meu passado.
Não, não é mais assim.
Ele tem outra agora.
É nela que ele goza, é ela que ele trai.
Hoje a pele não é lisa, não é pálida.
Os dedos sobem e descem ondulações, como se lessem braile.
Eu poderia ver histórias em cada uma dessas manchas.
Não mais apetece, não encanta.
Explodem, escorrem.
A liberdade incomoda, traz coceira.
O eu que sente, o eu que pensa, exposto, crescendo feito colônia.
Vermelho. Sujo. Imperfeito.
São minhas, minhas. Sou eu.
Acaricio-as, não precisam mais sair...
Ficam à mostra, exibidas, contando aquilo que eu sei de mim.